Por Felipe Demartini

Em um negócio de tamanho recorde anunciado neste domingo (28), a IBM revelou que está comprando a Red Hat por US$ 34 bilhões. O valor é aplicado em uma tentativa da Big Blue de diversificar seu portfólio de serviços de consultoria e hardware, em busca de bases mais altas e, principalmente, um melhor posicionamento no mercado de tecnologia.

Trata-se da maior compra de uma empresa já realizada pela IBM e, também, do maior negócio desse tipo já realizado no mercado de software. Além disso, a aquisição da Red Hat configura a terceira maior aquisição da história no mercado de tecnologia, ficando atrás apenas da compra da EMC pela Dell (US$ 67 bilhões) e da fusão entre Avago e Broadcom, criando o que é, hoje, uma das maiores companhias do setor de semicondutores.

O rótulo de gigante, é claro, também cabe muito bem à união entre IBM e Red Hat, que, com a aquisição, acabam formando uma das maiores empresas do mercado de software. Para o Ginny Rometty, CEO da Big Blue, a cartada serve justamente para restabelecer essa liderança em busca de atualizações nos negócios e serviços mais abrangentes para os clientes e parceiros.

Um dos principais interesses estão nas assinaturas de software, em um momento no qual a venda direta de soluções desse tipo está em queda, assim como a demanda por servidores e mainframes diante da concorrência com outros nomes de peso. O objetivo, afirmou Rometty, é criar a principal companhia de nuvem híbrida do mundo, liberando para os clientes o “verdadeiro poder” dessas soluções.

Além disso, é no suporte que está o principal ponto de negócios da Red Hat, que trabalha com o oferecimento de serviços baseados em Linux. A cobrança de mensalidades em troca de novos recursos, pacotes expandidos de softwares, manutenção e suporte técnico é vista como uma fonte constante de receitas e, também, a preferência atual das empresas no lugar das altíssimas licenças. É uma maneira, então, de atualizar o foco da IBM e oferecer ainda mais opções para os clientes dos métodos novos e antigos.

A mira, claro, está nas grandes companhias do setor, como Amazon, Google e Microsoft, que também vêm diversificando seu portfólio de serviços com cada vez mais foco nos sistemas híbridos de computação na nuvem. Uma reinvenção desse tipo, inclusive, era esperada pelos analistas, que estranharam a demora da IBM em agir, principalmente depois que sua mais tradicional rival, a Dell, anunciou a compra da EMC justamente com essa pegada.

Como parte dos termos da aquisição, a Big Blue vai pagar, em dinheiro, US$ 190 por ação da Red Hat, um valor que é mais de 60% maior que o fechamento dos papéis da companhia na última sexta-feira (26). É um valor alto , mas também adequado para uma empresa que quase duplicou de valor ao longo dos últimos cinco anos, apresentando uma alta de 170%, enquanto a IBM perdeu mais de 30% no mesmo período.

Após a aquisição, que foi liderada pelos bancos Goldman Sachs e JPMorgan Chase, do lado da Big Blue, e Guggenheim Partners, do lado da Red Hat, ambas continuarão independentes. Não haverá fusão ou união de negócios e a companhia especializada em Linux continuará a contar com seu time de gerenciamento próprio, escritórios, unidades e práticas, sob a batuta do atual CEO, Jim Whitehurst. Não são esperadas mudanças gerenciais neste primeiro momento.

O negócio, agora, deve passar por toda a etapa burocrática e regulatória, durante a qual não são esperados problemas. O negócio deve ser concluído no segundo semestre do ano que vem, com a IBM preparando um programa de recompra de ações para 2020 e 2021 como forma de auxiliar no equilíbrio de caixa após uma aquisição desse tamanho.

Fonte: IBM & CanalTech