Hoje as redes sociais são praticamente um segundo documento de identidade: não participar de determinada plataforma muitas vezes é sinônimo de total isolamento. Mas você já pensou como seria se deletasse os seus perfis na rede e levasse uma vida diferente?

Jaron Lanier, considerado o pai da realidade virtual e uma das maiores referências (e críticos) do Vale do Silício, não tem conta em nenhuma rede social e deixa bem claro por quê: “Evito as redes sociais pela mesma razão que evito as drogas.”

Segundo ele, as bases da internet foram fundamentadas em um modelo de negócio regido pelas propagandas. Os anúncios, nossos velhos conhecidos das mídias tradicionais, ganharam uma nova dimensão à medida que a internet se desenvolvia. O que antes era apenas a exposição de um produto agora é uma engrenagem intrincada de algoritmos que modificam o comportamento de milhões de pessoas diariamente. E o pior: sem que ninguém perceba.

Essa dinâmica nas redes traz inúmeros efeitos degradantes: as redes acabam com o livre-arbítrio, estimulam emoções negativas, distorcem a percepção da verdade, precarizam profissões… A lista não tem fim, mas Lanier esquematizou boa parte dela em dez argumentos poderosos e convincentes para que você largue as redes sociais.

É uma tarefa complicada, e o autor sabe disso. Ele acredita, no entanto, que essa é a única forma para que um dia tenhamos redes sociais verdadeiramente dignas e aproveitemos o potencial maravilhoso do que a internet nos proporciona.

HOLLYWOOD, CA – APRIL 17: Jaron Lanier attends the IMS Engage official after party with The Windish Agency and W Hotels Worldwide at Drai’s Hollywood at W Hollywood on April 17, 2013 in Hollywood, California. (Photo by Mike Windle/WireImage)

Jaron Lanier é cientista, músico e escritor, mais conhecido por seu trabalho em realidade virtual e sua defesa do humanismo e da economia sustentável num contexto digital. Sua startup nos anos 1980, a VLP Research, criou os primeiros produtos de RV comerciais e introduziu avatares, experiências multipessoa em mundos virtuais e protótipos de grandes aplicativos de RV, como simulação cirúrgica. Seus livros Bem-vindo ao futuro e Gadget foram best-sellers internacionais, e Dawn of the New Everything foi escolhido um dos melhores livros do ano de 2017 pelo The Wall Street Journal e pela The Economist