Além de pedir informações do nível do IMEI, app Weather Forecast também vinha inscrevendo seus usuários em serviços de realidade virtual sem pedir a devida autorização

Os tempos pós-Cambridge Analytica seguem difíceis. Desde que a divulgação do compartilhamento de dados de milhões de usuários do Facebook sem a autorização dos próprios ter mergulhado a empresa de Mark Zuckerberg em uma verdadeira espiral de desastres, o noticiário parece ter se habituado a compartilhar escândalos de quebra de privacidade e de coletas indevidas de informações de pessoas na rede, uma prática que aparentemente não para de se mostrar cada vez mais comum no setor de tecnologia. E isso inclui até mesmo os serviços mais inocentes, como meros aplicativos de previsão do tempo.

Isso porque uma reportagem do The Wall Street Journal publicada (03/01) relata que o Weather Forecast – World Weather Accurate Radar, um dos apps mais populares da categoria no Android, vinha nos últimos meses fazendo uma coleta de informações bem mais extensa que a necessária de seus usuários. Levantada a princípio pela firma de segurança Upstream Systems, a situação incluía até o pedido do endereço de e-mail e do número do IMEI (Identificação Internacional de Equipamento Móvel, em outras palavras a identidade do seu telefone) das pessoas que baixavam o app, que é gerido por uma fabricante chinesa intitulada TCL Communication Technology Holdings Ltd.

Para piorar, o Weather Forecast pelo visto também vem inscrevendo seus usuários em serviços de realidade virtual sem pedir nenhum consentimento. Segundo o jornal, a investigação da Upstream mostra que mais de cem mil indivíduos quase foram obrigados pela plataforma a pagar mais de 1,5 milhão de dólares ao serem inscritos em programas do tipo localizados em países como a Malásia, a Nigéria e até aqui no Brasil. Estas tentativas, porém, foram interrompidas após a TCL atualizar o programa depois de ser contatado pela firma de segurança e o jornal sobre o assunto.

A coleta indevida de dados, porém, ainda é a parte mais preocupante do negócio, até porque ele se mantém ativo e não muito claro em seus propósitos. Por ser um número que muda de posse a cada momento que o aparelho é passado para outra pessoa e que pode ser linkado a diversos usuários, o IMEI é em teoria um dado inútil ao julgamento normal, o que só deixa mais esquisita a necessidade do app de pedir o número.

Por incrível que pareça, o Weather Forecast não é o primeiro aplicativo de previsão do tempo a ganhar uma acusação de quebra de privacidade. No ano passado, foi revelado que o AccuWeather acompanhava a localização dos usuários mesmo depois deles declararem de forma explícita que não queria compartilhar esta informação à plataforma. Na época, o app disse que a coleta indevida era resultado de um erro de configuração do serviço.

Fonte

Imagem: Search photos snapchat / Fotolia.com