O assunto do momento é espionagem, ainda mais que o EUA deixaram vazar o que eles fazem com você. Das trocas de emails aos sites mais acessados, o fluxo de informação é minerado e então vendido como mercadoria. Basta fazer uma busca no Google com as palavras: “Twitter” ou “Facebook” “vende dados” e verá quantos casos.

Todos acompanharam o Snowden (ex-agente da NSA), confissões do Obama e reações do nosso governo. Querem saber o que as pessoas fazem, qual o próximo passo de grandes corporações e áreas estratégicas de países – vale tudo para alimentar um sistema ambicioso.

A mídia explora o tema por conta da grande audiência, mas em nenhum momento aponta soluções ou contribui para a educação de seu público. Falta bagagem técnica para entender minimamente o que o software faz por trás das telas. Por isso, defendo que informática, programação e eletrônica deveriam ser disciplinas ensinadas desde criança.

Os fabricantes das TICs têm obrigação de fornecer o manual de software e hardware de seus produtos, da mesma forma como acontece na indústria farmacêutica e suas bulas.

Existe uma disparidade muito grande entre TI e outras áreas da vida, todos têm noções de primeiros socorros, como lidar com seu carro, se automedicar e fazer reparos em casa.

Por estes dias atualizei o Android para o Jelly Bean e fiquei surpreso com os gestos da câmera e a função de localizar os olhos. Surge então a reflexão que o dispositivo precisa ficar sempre ativo para reconhecer movimentos e parte do corpo, como também ele pode permanecer ativo para enviar informações de tudo o que vejo e ouço.

OK, eu me rendo… como lidar com tudo isso?

Acho que esta é uma causa que tende a piorar na perspectiva que a tecnologia não vai parar de avançar. Fazendo uma anologia com as drogas, você jamais vai acabar com ela, a questão é como conviver e minimizar seus efeitos na sociedade.

Ao contrário do que muitos afirmam, acredito que as pessoas não abriram mão de sua privacidade. Não adianta insistir em leis e regras rígidas para controlar a situação e proteger as pessoas. O homem sempre soube defender o que é seu e também sabe guardar o que é privado, por isso ainda usa cadeados, armários, salas exclusivas e assim vai.

Passamos por um momento especial, pode parecer que perdemos a privacidade, mas conquistamos muita transparência e em vias duplas. Poxa, se empresas e Estados monitoram informações, porque não podemos monitorar governos e suas obrigações, corporações e seus produtos?

Agora, temos caminhos para sermos mais atuantes e articulados em todas as esferas, principalmente na pública. Aqui a sociedade em rede ganha um importante papel de protagonista, seus fluxos são verdadeiras ferramentas para aperfeiçoar o Estado. Acho que é por ai o caminho… bem-vindo a era da cyber-cidadânia 😉

Enquanto isso, contribuo com algumas dicas para sua segurança:

Opte sempre por Software Livre, pois os códigos são compartilhados, documentados e remixados a todo instante. Isso impede brechas para vazar dados ou qualquer ação maliciosa.

Evite serviços “gratuitos” para envio de informações estratégicas, os principais são: Google, Micro$oft, Yahoo, 4pple e Facebook. Quando você cria uma conta, acaba concordando com os Termos e Condições para usarem seus dados. Como alternativa, use servidor próprio (FTP) e mensagens via SMS ou DM do Twitter.

Envie emails assinados e criptografados (GnuPG), utilize protocolo POP3 para download das mensagens em sua máquina.

Acho importante o Tor para anonimato na navegação da web (IP passa por vários servidores).

Use o modo anônimo no navegador para máquinas compartilhadas. Use extensões para navegação invisível aos trackers (Ghostery).

Arquivos sempre criptografados em qualquer ambiente (Mac, Linux, Windows, Android).

Em configurações nas redes sociais, você escolhe o que e a quem compartilhar.

Seja desconfiado e atento a mensagens estranhas, arquivos não solicitados e qualquer situação que fuja da normalidade.

Água molha, fogo queima e internet é livre, neutra e anônima!

Até a próxima.