Todo poderoso – Daniel Bryan

Ele é um ser supremo, infinito e perfeito, superior à natureza, acima dos homens, o melhor das empresas, mais rico, não se dobra a valores e regras de outras organizações, independente, a sua maneira de pensar e agir está além.

No centro do universo, o mundo gira ao seu redor e as coisas têm que ser do seu jeito. Pessoas, empresas e serviços são feitos exclusivamente para satisfazer suas vontades, no seu tempo e modo. Não há negociação, meio termo, exceção, quem manda é ele e ai de quem discordar.

Você disputa a chance de trabalhar com muitas outras agências, tão competentes quanto a sua, se seu orçamento for para a final, terá que convencê-los de seus diferencias com muita dose de criatividade – um completo aperitivo do que de fato será feito caso ganhe a conta.

Nós, atraídos pelo potencial financeiro e equipe especializada que fará parte do projeto, deslumbramos pelo portfólio de alta qualidade assinado por uma marca grande e conhecida. Aqui, você e sua equipe investem tudo para fechar o negócio.

Na cadeia alimentar, você elimina seus concorrentes e então a sua proposta começa a passear pelos departamentos, Diretoria, Compras, TI e outros. Aprovado pela Presidência (meses até anos depois), seu preço será achatado por uma equipe de contas ávida por colocar todo know-how a cheque. Cada centavo descontado será motivo de comemoração, e o parâmetro será centenas de outras propostas e orçamentos encontrados em São Paulo. Mas fique tranqüilo, a sua idéia é a que foi aceita.

Contratado, o projeto inicia com entendimento do que esperam por “algo caro”. Compraram muito além da concepção e produção de um projeto, no kit tem status, paparicos, surpreender em todos os momentos, porque eles não precisam de comunicação, seu quadro de funcionários é formado pelos melhores, podem fazer tudo, mas resolveram contratar a sua empresa pelo fôlego novo e a não responsabilidade (“santo de casa não faz milagre”, internamente jamais sairia o projeto).

Surge à decepção, o projeto começa a ficar muito caro e demandar tempo com outras coisas que fogem do escopo, a pressão e a exigência reinam de forma descontrolada, buscando satisfazer desejos supracitados neste post. Caso dê alguma coisa errada, a culpa será sempre da agência, pois o cliente é perfeito, seu tamanho justifica seu ser.

Fica o aprendizado: existem basicamente 2 perfis de negócios: 1º cliente emergente, formado por empresas que estão adquirindo a cultura em comunicação. 2º cliente deus, formado por empresas que estão no topo, que chegaram à liderança sem investimentos em comunicação.

1º) Cliente emergente é amável, decisões rápidas, tratamento direto com os donos (são diretores comerciais e marketing ao mesmo tempo). Nossas criações são bem aceitas e admiradas, pensam comunicação como arma estratégica, onde bem aplicada levará ao tão sonhado ganho de share. O relacionamento é de igual para igual, você é convidado para suas conquistas (um novo produto, festa de final de ano)… tudo perfeito com uma ressalva: não tem muita verba para investir em comunicação.

2º) Cliente deus estabelece uma relação servil, de cima (cliente) para baixo (fornecedor). O trabalho sai muito custoso, mas tem verba e nome.

Em lucratividade, a proporção está 4 (1º) X 1 (2º). Precificação, 8 (1º) X 1 (2º). Em trabalho, 10 (1º) X 1 (2º).

Existe o raciocínio que vale mais um mix de clientes com potencial crescimento do que atender poucos grandes. Porque se você perder 1 grande, estará fadado a quebra. Se for o pequeno, quase não irá sentir no orçamento e em breve será reposto com mais facilidade.

Seus concorrentes (cliente deus) serão grandes agências com nome e estrutura. Para os pequenos, profissionais liberais, estudantes, pequenas agências, bureaus, estúdios e atravessadores, como dentistas, músicos, arquitetos que resolveram fazer uma boquinha em outra área para complementar renda.

O grande tem muita verba, porém quase não rende lucro pela “exigência”, mas o resultado será referência. O pequeno, pouca verba, bom lucro na quantidade e portfólio não expressivo, apenas mais um trabalho com uma marca desconhecida.

Boa verba para portfólio pra uns, lucro para outros… na sua experiência, qual é o ideal de negócio?

Ps.: um vídeo bem interessante, principalmente pra quem vive de serviços:

Até a próxima.

[]’s
Daniel Bryan