Se onisciência e onipresença eram atributos divinos, hoje tendências mostram o contrário, é possível ser imagem e semelhança do Criador através das novas tecnologias – o mundo ficou MOBÁIL.

De um lado, as pessoas precisam estar online. Do outro, grandes empresas travam uma verdadeira batalha para oferecer o produto que melhor irá atendê-las. Gigantes como Microsoft, Intel, Nokia, HP brigam para manter a liderança sobre Google, ARM, HTC e Asus (Folha, Agosto). Independente da crise mundial, o novo mercado é tão promissor ao ponto do Steve Ballmer (CEO da Microsoft) declarar que os netbooks “alavancaram todo o mundo da computação e da internet”.

No meio da batalha surgem os mais inusitados dispositivos, smartphones, e-books, câmeras, geladeiras, o que vale é estar conectado! Até os mais humildes tem lugar ao sol com os curiosos MP15s, incríveis pois suportam 2chips GSM, WiFi, 3G, GPS, câmera, TV, rádio FM e se bateria é o problema, já vem com duas 😀

É a convergência tecnológica em todos os lugares e para todos os tipos de pessoas (pelo menos na teoria). Com tudo isso é quase impossível andar desinformado! 😉

Com devices tão poderosos, a briga também passa por dentro dos aparelhos, quem será o sistema mais amigável, funcional e que impressione nos arrojados efeitos de interação? Na disputa, iPhone (Apple) e Windows Mobile 6.5 (Microsoft) comandam a lógica proprietária de software VS Android (Google) com o movimento de software free, logo atrás vem Symbian (usado pela Nokia), BlackBerry OS e o extinto Palm Os.

As interfaces se multiplicam e junto às possibilidades de conexões à internet. Via dial-up, banda larga, Wi-Fi em lugares públicos, satélites, 3G, e agora a Anatel aprova o regulamento que permitirá que empresas ofereçam acesso à internet usando rede elétrica, acredita-se que a conexão será mais barata do que a banda larga convencional e poderá chegar a 21Mb/s (dizem os mais otimistas).

O que as pessoas ganham com tanta tecnologia?

Na visão de alguns cientistas, como o caso do sociólogo Castells, esta “explosão informacional” beneficia principalmente a educação – pois “amplia a capacidade das pessoas de progredir em seus conhecimentos, criar riqueza e utilizá-la mais sabiamente”.

O fato é que o avanço tecnológico abre um mercado gigantesco para ser explorado, porém, no Brasil, os pobres (excluídos digitalmente) têm o menor acesso à internet entre 14 países da América Latina (Ag Brasil, Abr 2009).

Acredito que o avanço da tecnologia e o crescimento de possibilidades para conexões não atingem um ideal de inclusão digital. Existem problemas graves sociais pela má distribuição de renda e deficiência na educação pública, tornando a maior parte da população carente marginalizada digitalmente.

Pesquisas mostram que o desinteresse pelas classes D e E em adquirir um computador se explica pelo fato de que nunca usaram um, pra quê “gastar” dinheiro por algo que desconhece?

Talvez a tal “explosão tecnológica” ajude no crescimento de opções, forçando através da concorrência preços mais justos. Mas só isso não basta, acredito que práticas educacionais que estimulem o uso da tecnologia, como telecentros, ações do governo para inclusão digital e outras ações colaborem para que todos tenham acesso à informação em um modelo todos para todos.

“… não basta estar na frente de uma tela, munido de todas as interfaces amigáveis que se possa pensar, para superar uma situação de inferioridade. É preciso antes de mais nada estar em condições de participar ativamente dos processos de inteligência coletiva que representam o principal interesse do ciberespaço.” (LÉVY, 1999, p.238)”.

Até +
Daniel Bryan