Saudades de escrever, afastado do blog devido a correria. Tempo difícil de luta. Coragem à todos!

Operadoras de telecom vêm anunciando mudança na forma de cobrar a banda larga fixa. A proposta é impor limites de dados em franquia, semelhante o que ocorre no acesso móvel mobile.

Quando você atingir o limite de dados a banda será cortada, forçando a compra de pacotes adicionais.

A proposta veio da Vivo, após a fusão com a GVT nas últimas semanas, e se alastrou para as demais operadoras formando uma onda negativa que compromete o avanço social e tecnológico da Internet.

As ‘teles’ argumentam que o limite da banda trará melhorias no serviço, evitará supostos congestionamentos e aumentará a velocidade com preços mais competitivos. Porém, até o momento, não existem argumentos técnicos que justifiquem a necessidade dessa possível franquia.

Em defesa, existe uma petição Movimento Internet Sem Limites e o PROCON se posicionou para que empresas sejam proibidas de controlar o acesso e lembrou que a medida desrespeita o Marco Civil da Internet e o Código do Consumidor.

Nesta última sexta-feira (22), o Conselho Diretor da ANATEL voltou atrás e decidiu que as operadoras ficarão proibidas de limitar o acesso à internet de banda larga fixa “por tempo indeterminado”, vamos acompanhando os próximos capítulos.

Imaginemos…

Limitar os fluxos sobre os grandes provedores de streaming como Youtube, NetFlix, Spotify e similares, representam a diminuição de praticamente a maior atividade dos brasileiros hoje com a Internet (acima dos 70%).

Os gamers serão prejudicados para baixar e jogar online.

Conversas remotas serão precarizadas via Hangout, Skype e WhatsApp, isso influenciará o custo negócio. Perderemos relevância em redes P2P como Torrents e Popcorn Time, são aplicativos, sistemas e plataformas que deixarão de circular porque dependem do continuo envio e recebimento de dados.

Desenvolvedores e o software livre também saem perdendo porque dependem dessa troca constante de experiências, códigos e pacotes.

Também vamos retroceder no WiFi livre, menos internet nas escolas, ônibus, praças, shoppings e hotéis. Sem contar que toda a produção de conteúdo hoje em dia está cada vez mais em nuvem. A era cloud domina e faz da banda seu intermediário, assim GDrive, DropBox e OneDrive são exemplos de serviços afetados.

Internet de classes e escassez

“Governos do Mundo Industrial, vocês gigantes aborrecidos de carne e aço, eu venho do espaço cibernético, o novo lar da Mente. Em nome do futuro, eu peço a vocês do passado que nos deixem em paz. Vocês não são bem-vindos entre nós. Vocês não têm a independência que nos une.”
(Trecho da Declaração de Independência do Ciberespaço por John Perry Barlow).

Existem esforços de setores poderosos para confundir o entendimento do digital na lógica do mundo físico.

Não podemos aceitar que a Internet seja escassa como laranjas, água ou luz.

Ao contrário, ela chega na parede da sua casa na totalidade da banda e o que determina a velocidade é o poder de compra.

O controle do fluxo infringe a neutralidade da rede, “o princípio que determina que todos sejam tratados com igualdade”, mas na prática é possível identificar o tipo de pacote em trânsito numa rede e as operadoras aproveitam para manobrar com seus interesses, prova são conversas VoIP (Skype, Hangout) que ‘trepicam’ até cair para favorecer a venda casada do telefone.

Também há um erro em comparar a infra da Internet fixa com a móvel, a expansão do 3G/4G tem desafios superiores, usam frequências de rádio que precisam ser expandido com torres e repetidores muito mais caros que passar cabo.

Franquear é tendência: outra falácia.

Segundo a União Internacional de Telecomunicações, mais de 70% dos países do mundo usam internet fixa ilimitada. Apenas EUA, Canadá, Alemanha, Irlanda, México, Japão e Argentina existem alguns poucos planos limitados, mas são comercializados paralelamente com os ilimitados.

As ‘teles’ lucram muito no Brasil e talvez a solução fosse trabalhar a Internet como concessão. Hoje ela é explorada de maneira privada e concorrencial, ou seja, os lucros definem os interesses de expansão.

Recentemente, tive a péssima experiência de solicitar a Internet Fibra para o meu condomínio, a primeira coisa que fizeram foi estudar a viabilidade pelo número de possíveis assinantes.

Se a situação apertar a favor da franquia, aposto minhas fichas no hackeamento. Mesmo assim, seria um colapso para a inclusão digital, hábitos e modelos de negócio. Um fim bem antagônico, pois o universo digital não se desenvolveu na lógica do consumo, divisão de classes e muito menos na escassez de banda.