Padrões em tempos modernos – Daniel Bryan

Encontramos padrões em produtos, serviços, no comportamento humano e até na natureza. A própria internet segue padrões – o protocolo de comunicação chamado IP (Internet Protocol).

Quando determinamos um padrão a um produto, beneficiamos a sociedade pelas qualidades mínimas exigidas, elementos essenciais que tal produto deve ter. Esses padrões incentivam a concorrência entre vários fabricantes, por conseqüência cai o preço para o consumidor, aumenta a qualidade por meio da competitividade e mantém os produtos compatíveis para o mercado.

Em serviços, existem padrões para rotinas e processos que quando bem feitos e controlados, os consumidores identificam e atribuem estes méritos percebidos a marca e a qualidade do produto. Para exemplificar, Chaplin com o filme Tempos Modernos, representa um personagem frenético, ininterrupto, como um louco, com movimentos repetitivos, padronizados, milimétricamente controlados diante de uma esteira, sendo parte integrante da máquina e do movimento do trabalho.

Padrões em produtos, em serviços, no dia-a-dia. Padrões não são neutros e podem ampliar os monopólios ainda mais quando o ambiente é a rede das redes.

A Microsoft percebeu que o IE jamais ultrapassaria seu rival Netscape, por isso deu uma forcinha quando usou seu padrão de “bitolas” chamado Windows, semelhante à estratégia usada nas antigas estradas de ferros – para determinar que o seu navegador fosse o único que poderia transitar em seu sistema operacional. Hoje, o IE é o navegador mais utilizado, padrão não pela qualidade e sim pela força imposta por um monopólio.

No universo dos mobiles, a Apple investiu todas as cartas no belíssimo design e alta tecnologia do iPhone (U$ 99,00) há um preço onde todos podem ter (só no Brasil que não é assim). Será que a Apple decidiu retribuir toda a fortuna que gastamos a mais pela marca de seus produtos? Acho que não… realmente entenderam que o grande negócio está no relacionamento através da venda de softwares e não mais nos belíssimos aparelhos.

Quem ganha com os padrões nos tempos de hoje?

Porque o IE está instalado em quase todos os lugares públicos onde tem internet? Porque Gmail ou Hotmail nas escolas públicas? Bondade? Tão ricos será que resolveram contribuir para a inclusão digital distribuindo contas de e-mail de graça?

Todos sabem da importância de ser padrão em uma economia globalizada e interconectada – é quase questão de sobrevivência! Porque se todos usarem, se tornará padrão, tornando padrão será o mais querido por todos e isso resultará por mais capital.

Enquanto isso, o que ganhamos para visualizar a marca do Windows todos os dias em nossas telas? Ao ligar para um amigo e ter que ver TIM, CLARO e OI em nossos celulares sendo que pagamos as tarifas mais abusivas do mundo? Porque ler uma planilha no Excel? Produzir um primoroso trabalho publicitário usando os caros pacotes da Adobe? Porque MSN é o mensageiro, Skype o telefone sobre IP e o Google o melhor buscador? Interação é Wii, performance PS3 e compatibilidade Xbox 360?

Enfim, o que deveria existir é consciência por parte do consumidor para investir em produtos que não usasse nenhum tipo de monopólio, que garantisse competitividade mais saudável, alta compatibilidade, que trouxesse benefícios mais evidentes aos seus usuários e por fim que a inovação fosse à força para combater a concorrência. Do jeito que estão às coisas, é o consumidor quem deveria ganhar para usar os produtos. Ou, vai-me dizer que concorda em pagar mais caro por uma mídia azul do PS3 para ter exatamente o mesmo título que “roda” em outras plataformas de games?

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Daniel Bryan