Liberdade na Internet – Daniel Bryan

A Internet é uma rede de comunicação livre de interesses, onde não privilegia pessoas ou corporações. Seu pivô é a lógica da liberdade, hoje é o maior ícone de expressão da era da informação. Democratizante, possibilitou novas vozes, reduziu barreiras e contribuiu para práticas colaborativas essenciais em nossa diversidade cultural.

Manuel Castells afirma que “A Internet é o tecido de nossas vidas” e deixa a seguinte analogia: “a Internet poderia ser equiparada tanto a uma rede elétrica quanto ao motor elétrico, em razão de sua capacidade de distribuir a força da informação para todo o domínio da atividade humana”.

Nasceu da improvável interseção da big science, pesquisa militar e da cultura libertária – e a sua arquitetura é baseada em 3 princípios: estrutura de rede descentralizada, poder computacional distribuídos através de pontos de rede e redundância de funções para reduzir riscos de desconexão e perdas – ou seja, flexibilidade, ausência de centro e autonomia máxima por cada ponto.

Apesar da cultura da Internet ser excelente, ultimamente estive preocupado com projetos que “desconfiguram” sua proposta. Semana passada (14/05/09), houve um ato público na Assembléia Legislativa de São Paulo a favor da Liberdade na Internet e contra o Vigilantismo na comunicação em rede – é o projeto do Senador Azeredo onde o objetivo é criminalizar práticas cotidianas na Internet, tornar suspeitas as redes P2P, impedir a existência de redes abertas, reforçar o DRM (Gestão Digital de Direitos) que impedirá o livre uso de aparelhos digitais.

Infelizmente o Projeto Azeredo ganhou apoio com a recente penalidade aplicada aos criadores do famoso buscador The Pirate Bay e o projeto Francês (com apoio do presidente Nicolas Sarkozy) que aprovou a suspensão do acesso a Internet aos usuários que descarregarem conteúdos ilegais (rotulado como pirataria).

Segurança VS Liberdade, o que está em jogo?

Segurança e Liberdade nas redes são grandezas opostas, quando aumenta a segurança proporcionalmente diminui a liberdade. Deixando claro que projetos “que se dizem garantir a segurança” não ajudam em nada o autor ou corporações e sim beneficia grandes empresas mediadoras, como emissoras de TV e empresas fonográficas. Os bancos também são grandes interessados, pois se eximirão da responsabilidade pelos crimes eletrônicos (são os que mais investem com profissionais e tecnologia para segurança).

A Internet emergiu de uma plataforma livre e toda e qualquer tentativa de vigiar o usuário, punir suas práticas ou mesmo preferenciar pacotes de dados como já acontece nas vendas casadas do VOIP (no Brasil a NET e Telefônica), são totalmente contrários a lógica e a cultura das redes.

Caso estes projetos insanos sejam aprovados quem realmente sairá perdendo somos nós. Penso que devemos conhecer melhor a história, os nossos direitos, a proposta da Internet como “cultura” e “tecnologia” livre para assim exigir democracia! É a sociedade que ganha com uma Internet livre de monitoramento e controle – caso contrário, é o nosso próprio crescimento cultural, a criatividade e a inovação que estará em jogo.

+ sobre o Projeto Azeredo, acesse:
Alerta geral Senador Azeredo
Ato contra o AI5 Digital

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Daniel Bryan