Identidade digital, preocupação de todos – Daniel Bryan

O Brasil bate recorde de navegação com 23h47m (nov/08), seguido pela França com 23h45m e Alemanha com 23h05m. O total de internautas são 64,5 milhões, segundo o DataFolha.

Com dados tão expressivos da utilização da rede, cabe a seguinte questão: será que as empresas cuidam devidamente de sua identidade digital?

A identidade visual não é apenas uma representação simbólica que faz a interface entre ela e o público, refletindo seus valores e atributos. Considero uma estratégia porque a sua construção é feita de forma consciente e planejada pela organização, que procura adequá-la aos seus próprios interesses e às do público. A identidade também reproduz o contexto sócio-histórico no qual ocorre a evolução dos meios, das técnicas, dos suportes e dos estilos que, por sua vez, criam novas necessidades, desejos e formas de ver o mundo.

Caso Coca Cola

Uma identidade visual não se restringe a logomarca da empresa, temos abaixo um exemplo evidente disso:

Olhando para a garrafa sem rótulo, logo identificamos sendo Coca Cola.

Seu posicionamento pela forma foi construído estrategicamente a mais de um século.

O produto Coca Cola tinha 2 conflitos, 1º de ser uma bebida escura remetendo a idéia de sujeira, impróprio para consumo. Em 2º, consumo somente no verão. Os 2 conflitos foram resolvidos com campanhas que associassem a cor vermelha a necessidade e branco a limpeza. A sua refrescância poderia “matar” a sua sede também no inverno, daí surgiram campanhas que estereotiparam o Papai Noel o que ele é hoje: as cores da Coca. Não é coincidência, já se perguntou o porquê do Papai Noel ser um velhinho de barba branca, com traje vermelho no inverno?

Empresa que mais investiu em comunicação da história, a Coca entendeu que vender líquido poderia ser tangível se todos identificassem pela forma. Então a preocupação com a identidade foi além da marca, disseminaram um estilo de beber, antes no copo, agora no design prático da garrafa que cabem nas mãos e ainda proporcionam goles na medida certa. Hoje também a Coca vende refrescância para todos os momentos, inspiração para um mundo melhor, momentos únicos com viagens ao universo lúdico da fantasia – retendo assim a atenção e reforçando a idéia que graças a Coca Cola tudo isso é possível.

A Internet é ameaça ou aliada à imagem corporativa?

Ao contrário das mídias tradicionais, a comunicação na internet é uma via larga de 2 mãos onde discursos invasivos não são bem-vindos. O fluxo de informação é construído pelos interesses do Interagente. Antes, para cada matéria na revista Veja, era obrigado a “engolir” 10 páginas de propaganda, na TV aberta, 4 a 6 inserções maçantes de comerciais, a interação se limitava em apertar o botão do controle para pular os comerciais.

O grande conflito é pensar comunicação como uma mídia que agrega outras mídias. O fato de a Internet ter áudio, texto, imagem e vídeo – não fazem dela uma revista, cartaz, rádio e TV. A abordagem é outra, às vezes os profissionais de marketing e agências tradicionais ainda não entenderam isso!

Neste sentido, o papel de um site é chamar e manter a atenção, hoje representa mais do que uma vitrine para as empresas, representa uma extensão virtual! É lá que encontramos a sua cultura, seu histórico, produtos, depoimentos, diferenciais e outros valores e info(s).

Um bom site deveria falar mais com o consumidor do que promover a marca, articular mais informações com depoimentos dos próprios consumidores do que chamadas persuasivas, por fim, gerar conhecimento com assuntos pertinentes a marca utilizando ainda mais os recursos que a web 2.0 possibilita.

Até quando vamos visitar sites esteticamente ultrapassados, sendo um repositório de conteúdo invasivo e chato, muitas vezes mentirosos, com pop-up que abrem na cara – para entrar em ambientes que realmente nos remetam a empresa, desperte o interesse pela criatividade, com informações de qualidade e por fim nos dê a chance de falar?

A maioria das empresas ainda tem medo de expor as suas idéias na internet, não sabem como lidar com a gestão de sua reputação, encarado até como um fator negativo pelo risco que possa ocorrer.

Respondo este temor com empresas líderes e referência de mercado e argumento que quem entender a lógica das redes e souber construir a sua imagem nela, pode conquistar uma vantagem irreversível sobre os concorrentes (caso Coca vs Pepsi)! A mesma lógica serve para as pessoas físicas.

Produzir sites interessantes é um grande desafio, ainda mais perante a inteligência de blogs, fóruns e outros recursos que viram febre na rede. Se você pretende comprar um Notebook, faça como eu, procure referências nos blogs e comunidades do que no próprio site do fabricante… hehehe

Pra quem quiser ver os cartazes de Natal da Coca de 1924-1943.

Até 15 dias,

[]’s
Daniel Bryan