Existe Pirataria no Ciberespaço? – Daniel Bryan

Pessoal, sinceridade: você já baixou mp3 pela net e ouviu no iPod ou celular? Filmou trechos do show da sua vida com o celular para depois invejar os amigos no Youtube?

Sinto dizer: você é um Pirata!

O avanço da tecnologia promoveu o crescimento das possibilidades de cópias, transcodificações, remixes, quebras de travas e gravações em diferentes mídias digitais. Com tanta praticidade, quem nunca pirateou que atire a primeira pedra!

A expressão pirataria vem de piratas que em sua época promoviam roubos e saques aos navios e cidades com o objetivo de obterem despojos, riquezas e poder. Hoje, o termo serve para rotular pessoas que fazem cópias não-autorizadas e distribuições ilegais sob direitos autorais, principalmente imagens, músicas e sistemas.

No Brasil a lei defende os interesses dos grandes estúdios, por isso condena quem baixar mp3 ou assistir ao Youtube. As gravadoras ainda movem processos contra os usuários, a ABPD chegou a dizer que o P2P é a desgraça dos direitos autorais. Por outro lado, existem esforços do ministério da cultura para rever as nossas leis e manifestações do direito à criatividade como o Creative Commons, criada pelo Lawrence Lessig.

Enquanto isso… pagamos caro pela mídia (salas de cinema, DVD, CD, embalagens) e levamos de brinde advertências com apelos morais, são imagens de roubo de carros, tráfico, pedofilia, porte de arma e outras ameaças como as telas azuis – estratégia semelhante a usada por Hitler. Deste jeito você perderá a noite de sono caso compre algum DVD no camelô rs.

Vamos ser sinceros, o crime de pedofilia pode ser comparado ao ato de ouvir um mp3 baixado pela net? As campanhas de repressão favorecem a quem?

A pirataria na verdade são cópias e a distribuição ilegal é o compartilhamento por livre vontade. A lógica da rede faz com que o usuário puxe e disponibilize livremente o conteúdo que interessa, não existe uma ação invasiva, as informações não se desgastam e nem acabam porque são dígitos binários.

O autor nunca ganhou o justo na era industrial, porque as leis do copyright beneficiam o bolso dos estúdios. Agora, os downloads fazem com que o autor tenha visibilidade e se o trabalho for bom, as vendas de ingressos, shows e consertos aumentem pelo talento (vale lembrar que neste caso as pessoas fazem questão de retribuir financeiramente). O filme Tropa de Elite foi o mais pirateado e também o mais assistido nos cinemas brasileiros.

Entendo que o cenário é dramático porque estamos passando por uma revolução cultural onde as leis com referência no mundo material já não se aplicam a uma esfera virtual.

O mundo mudou, a nossa cultura também está mudando: até quando concordar com estes abusos? Que lado você vai ficar?

Para ilustrar a reflexão segue o vídeo do John Perry Barlow pela defesa da liberdade no ciberespaço:

Ps.: + sobre cultura livre, baixe aqui o e-book do Lawrence Lessig.

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Daniel Bryan