Caos no mercado de comunicação – Daniel Bryan

Os profissionais de comunicação enfrentam um cenário caótico em seu mercado. Tentarei expor a minha visão sem tomar partido, a intenção é promover a reflexão.

De um lado existem empresas Inovadoras, top of mind (Coca, MC, Nestlé), trabalham com grandes agências (arranha-céu de vidro ou mansões de um quarteirão nos Jds), que por sua vez direcionam esforços para a TV (precisam de muita verba para alimentar a bilionária estrutura). As Inovadoras possuem uma ótima cultura de imagem, entendem a importância e o poder da comunicação.

Do outro existem as Seguidoras, algumas emergentes, outras tradicionais sem visibilidade, cresceram porque “fizeram tudo direitinho”, algumas com faturamento tão grande quanto as Inovadoras. Sem a cultura da comunicação, descobrem que precisam fazer alguma coisa para se fortalecer na crise, disputar o mercado e então resolvem investir em comunicação.

Chamo de Sobrinho aquele contato mais próximo da empresa, são parentes, amigos, alguns desempregados, outros migradores (Arquitetos viram Publicitários, Fotógrafos a Jornalistas e assim por diante), sem experiência, sem formação acadêmica, sem talento, arriscam pegar algum trabalho com a esperança de pagarem as suas contas. A outra parte são os filhos da classe média, ganharam uma faculdade do pai, nunca trabalharam, tem bons equipamentos que trazem de suas viagens, e se inspiraram na área assistindo o Justus – tem a difícil tarefa de sair da zona de conforto dos pais e mostrar serviço para não perder o carro e a mesada.

A Arena é o local do conflito, as empresas para economizar se sujeitam a entregar a sua imagem corporativa a Sobrinhos, onde não terão condições de desempenhar um bom trabalho, o cliente não terá o resultado planejado pelo marketing.

De outro lado, fala-se muito em ter a primeira chance, que estas empresas estão apostando em novos talentos. Mais o Sobrinho não percorre o processo de aprendizado e maturidade da profissão, ele poderia ter exercitado em posições com baixa responsabilidade para depois tentar vôos maiores.

Existe a ciência que a experiência gerada pela falta de profissionalismo prejudicará colegas que empenharão suas vidas para serem bons?

Empresas Seguidoras tem consciência que são responsáveis por alimentar o mercado de Sobrinhos comprando lixo no lugar de solução?

Ainda na Arena, os profissionais sérios são obrigados a reduzir seus ganhos para sobreviver e para não se assemelhar ao Sobrinho, entregam um ótimo trabalho, aumentando o custo, se sujeitando fechar o mês no vermelho. Na Arena: a ganância por parte de Empresas VS o lixo oferecido pelos Sobrinhos.

Buscamos clientes que acreditam na comunicação, investimos na formação, no conhecimento técnico e outros valores para impor práticas e preços justos ao mercado, para honrar a verba confiada.

Diante do caos, há salvação? Será que vale a pena investir em clientes que ao menos conseguem identificar o que é bom ou ruim para a sua empresa? Vale a pena o esforço para educar clientes? Criar uma cultura visual onde não existe? E como criar uma imagem positiva de nossas profissões nesta bola de neve negativa?

A comunicação está em transformação, outras culturas oriundas das redes intensificam o processo, como o caso da Cultura Digital Trash (tratarei em próximo post), enquanto isso quem sai perdendo são as empresas que precisam de uma boa comunicação e os profissionais sérios que precisam sobreviver.

Ps.: pra quem pretende entrar no mercado, recomendo: “A Porta da Frente” e “dos Fundos do Mercado“.

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Daniel Bryan