Apple, um caso de amor – Daniel Bryan

Pouco antes do recente falecimento de Steve Jobs, voltei a plataforma Mac por necessidades profissionais e desde então, fiquei com vontade de expor parte da minha percepção de seu feito.

Se foi o inventor, simplificador, mítico, deu os passos certos e empreendeu para que a interação homem e máquina fosse a mais amigável. Talvez se foi o maior inventor das últimas décadas.

Reinventou o computador, walkman, celular, tablet, notebook, todos estes já existiam, mas não com toque de Jobs e sua equipe, transformando produtos em objetos de desejo.

Sorte?

Diria que foram acertos. Desde quando apropriou-se da ideia da xerox, micro computador humano com ícone e mouse, Jobs já revelava sua capacidade de sintetizar necessidades de usuários, visando simplicidade e usabilidade como marca.

Jobs tinha uma equipe que funcionava. Em especial Jonathan Ive, famoso pelo design elegante e minimalista, participou com Jobs do lançamento dos iMacs coloridos, ajudou a pensar o iPod, iPhone e o iPad. Teve reconhecimento do seu trabalho em MoMa (Museu de Arte Moderna de Nova York).

Acertou também quando construiu sua própria figura, foi um exemplo de liderança na Apple e empreendedor fora dela. Visionário, suas palavras cativavam multidões, seu perfil ampliava a repercussão da marca.

Seu legado?

Começou com o primeiro computador pessoal para o mercado de massa e terminou líder de mercado. Trabalho que vai além, revolucionou a música, numa época que borbulhava campanhas antipirataria, comprou o estúdio Pixar falido e anos depois, virou o maior acionista da Disney. Sem falar nas outras áreas que viveram sua influência, como a dos games, filmes, livros, tv, entretenimento e comunicação em geral, até os dias de hoje.

O mundo perdeu sem Steve Jobs?

Confesso que as ideias de Jobs foram boas e suas criações foram muito legais, pena que fechadas, entendo, fruto da cultura da época, hoje, o mundo continua com outras ideias, mais abertas, livres, como a Internet, Android, Wikipédia, Software Livre, CC e tantos outros.

E na comunicação?

Acredito que a Apple é referência para muitas empresas. Se por um lado, o modelo de negócio foi altamente fechado, exclusivo e proprietário. Por outro, conseguiram criar uma mecânica que articulou marca, produto funcional e design como instrumento de valor como poucas empresas conseguiram e quem saiu ganhando foi a humanidade como um todo, pois marcas líderes forçam concorrentes seguidores a melhorarem seus produtos.

Outro caso, já perguntou a um motociclista qual a moto do sonho?

Uma Harley, claro! Usuários dirão que é o ronco do motor, que cria sensações de liberdade, poder e domínio sobre a máquina, potência, conforto e estilo.

Os exclusos dirão que isso sim é moto, um espetáculo, não pela experiência e sim porque ouviu falar bem. Eles lutarão pela ascensão financeira como caminho para viver o sonho.

Pulmmer identifica na literatura psicológica o que chama de conjunto de necessidades universais: ser, pertencer, fazer e crescer (PLUMMER, 1998, p.1).

Parece discurso utópico, mexe com sonho, ideal, persistência, conquista, ao ponto que o produto e as promessas da marca transformam-se na justificativa do esforço em tê-los, o mesmo acontece com Louis Vuitton, Giorgio Armani e tantas outras.

Até que ponto é marca ou produto?

Motos têm rodas e motor para transportar, bolsas são de couro e armazenam objetos, roupas vestem desde Adão e Eva. Carros não voam, computadores não tem vida própria… seu carro em meio ao trânsito, é apenas mais um veículo, não importando se é o mais luxuoso ou simples. Produtos tem diferenças no material, formato, cor, peso, ajuste de tecnologia, porém, o objetivo final é sua funcionalidade e seu valor foi a marca quem ajudou formar no imaginário.

Segundo Kotler, “produto é tudo o que pode ser oferecido a um mercado para satisfazer uma necessidade ou um desejo” e marca é representação gráfica que comunica a promessa de um produto.

Pra mim, Windows não é melhor ou pior que MacOS, a câmera Nikon que Canon, PS3 do Xbox, IOS do Android – são apenas tecnologias diferentes, que evoluíram quase que equiparado para manter-se no mercado. No meio a tantas marcas e produtos, o que vale mesmo é a evolução de quem as usam.

Meu Mac veio de encontro ao momento em que vivo, precisava de mais facilidade para otimizar tarefas criativas e mobilidade extrema. Em outras épocas, iria preferir PC pela maior integração com softwares e games.

Já o celular, optei o contrário acima, o Android convida-me a interagir e acompanhar toda evolução da plataforma.

No mais, os benefícios propostos são muito próximos um dos outros e minhas escolhas acabaram sendo feitas por detalhes, talvez somente sentidos por quem conhece bem.

Para quem não tem oportunidade de conhecer o produto, suas opções estarão baseadas em informações que a marca promete e experiências de amigos e conhecidos.

Concluindo, a Apple contribuiu muito para a interface amigável, trabalhou bem a construção de marca líder, construiu a figura Jobs sendo um deus tecnológico, fizeram bons produtos e ainda fidelizaram seus clientes ao ponto dos mesmos tornarem revendedores (viralização).

Penso que mesmo o objetivo final sendo o lucro, a lição de casa foi tão bem feita que valeu a pena! Fizeram parte da nossa história.

O que você pensa de Steve Jobs, Apple e as grandes marcas?