A novela nossa de cada dia – Daniel Bryan

A vida nos prepara muitas surpresas, como novela e presente.

Hoje, comecei o dia de trabalho lendo a crônica “A novela nossa de cada dia“, escrito por Yves Dumont, compartilhado por sua irmã, minha amiga e companheira de trabalho Christiane Silva – o encanto transpassou as palavras e logo fui surpreendido pelo nobre gesto de autorizar a publicação aqui no blog.

Sou feliz pela boa atitude, os ótimos relacionamentos e o desejo de compartilhar.

O Natal mal chegou e fui presenteado com emoção e solidariedade. Aqui, ingredientes certos para desejar um “Feliz Natal e Excelente 2012 para todos!”.

Faço as minhas, as palavras de Yves Dumont:

A novela nossa de cada dia

Bom dia, São Paulo.

O meu Natal, seguramente, vai ser diferente do seu. E o seu, diferente do Natal de todos os seus amigos, vizinhos, parentes distantes, colegas de trabalho, de todas as pessoas, enfim, que você conhece ou não. Cada um de nós, computados todos os bilhões de filhos de Deus que o mundo abriga, vai ter o seu Natal particular, o momento solitário de saborear – à sua maneira – essa festividade única, campeã indiscutível da emoção e da solidariedade.

Não estou falando apenas de Natais diferentes entre si, em decorrência de contrastes sociais, econômicos ou culturais. Porque é claro que o Natal de cada um é ditado pelo status que atingimos, pelo dinheiro maior ou menor que conseguimos reunir no bolso, pelas tradições que nossas origens nos impuseram. E, se levarmos em conta esses pormenores, é mais do que seguro que cada Natal vai ter sempre uma cor particular.

Não podem ser iguais as festas de pobres e de ricos; das crianças e dos adultos; de europeus e de africanos; de esperançosos e de desiludidos; de cristãos e de ateus; de apaixonados e de céticos; de pragmáticos e de sonhadores; dos que têm saúde e dos que estão enfermos. Cada uma, invariavelmente, vai carregar a sua marca, ditada pela história de quem a cria, pelo poder de que desfruta, pela fartura ou dificuldade que rege sua vida.

Mas não eram essas as diferenças a que me referia. Falava desse rico turbilhão interior que o Natal, como nada, faz brotar em cada um de nós. E de como nos remete às mais nostálgicas lembranças e nos induz às mais profundas reflexões, produzindo, seguramente, uma emoção especial – e diferente – em cada ser humano. Tentava dizer, enfim, que não importa se estivermos na mesma festa, cada um vai ver o Natal de uma maneira.

Tudo isso, no entanto, não é o mais importante. Porque as festas diferentes que vamos organizar daqui a alguns dias, e as emoções também diferentes que elas farão brotar em nosso peito, serão movidas por um sentimento único, o mais importante de todos. E, nisso, o Natal é mesmo imbatível, algo fascinante, capaz como nada de aproximar os homens, neutralizar as divergências, unir os opostos, eliminar os rancores.

Vamos todos, novamente, por mais peculiares que sejam nossas festas ou as emoções que elas nos proporcionarão, sentir o mesmo nó na garganta; a capacidade de abrir os braços para o abraço, como não fazemos no resto do ano; a maravilhosa sensação de que podemos – e devemos – ser solidários. E vamos chorar, rir, ter saudades, projetar sonhos, fazer promessas, beber mais do que a conta, acreditar por fim que a vida vale a pena.

Está quase na hora de vivermos mais um Natal, cheios de coragem e de esperança. Que ele sirva, mais uma vez, para nos ensinar, sejam quais forem nossas diferenças, que é mesmo possível “amarmo-nos uns aos outros”. E é obrigação tentarmos fazer o amanhã melhor do que o hoje; o depois do amanhã melhor do que o amanhã; e assim sucessivamente, sem medo de estender a mão, de abrir o peito o ano inteiro para o espírito dessa força mágica chamada Natal. Até aprendermos, finalmente, a difícil arte de ser feliz…

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Daniel Bryan