A cultura digital trash – Daniel Bryan

No último post tratei do “Caos no mercado de comunicação“, na Arena (cenário) empresas líderes e seguidoras, grande agências, profissionais que vivem da comunicação, atravessadores, migradores, a baixa cultura e outros fatores que fazem da área um caos.

Para esquentar o clima, apresento a Cultura Digital Trash que surgiu do movimento punk da década 70 na Inglaterra, levando o lema “do it your self” (faça você mesmo), ganhou expressões na música, literatura e moda.
Encontramos esta cultura em movimentos sociais através de blogs, podcastings, softwares livres, web 2.0 e redes p2p. São vistos pelos profissionais da comunicação como produções de conteúdo banal e estetização da baixa cultura popular.

O conteúdo gerado pelo público vem crescendo e atraindo cada vez mais adeptos, ganhando força suficiente para concorrer com os meios tradicionais de geração de conteúdo e meios massivos de comunicação. São mensagens virais (boca-a-boca), tutoriais, fotos e vídeos feitos por celulares, animações, conteúdos em wikis, blogs, sites e buscadores cada vez mais poderosos.

Assim o digital trash constitui um movimento cultural amplo, descentralizado, global, remixado, caótico, contendo novas e inusitadas formas de expressão, terminologias, referências multimidiáticas que confundem noções de propriedade intelectual, autoria ou mesmo idéia de arte.

O grosseiro, exagerado, baixo conceito e estética, ruídos excessivos, não objetividade, entretenimento barato, experimentações de linguagens descomprometidas por qualquer noção de arte, padrão técnico e profissionalismo fazem parte deste novo público.

Diante deste cenário, o que fazer?

Para o profissional de propaganda e marketing, como anunciar algo para um público quando é este que assume o controle das mídias e de seus conteúdos?

Como chamar e reter a atenção de um público que gera conteúdo repleto de estrelas reputativas, fruto da visão de quem está mais próximo do produto/serviço/assunto do que o próprio autor/marca/empresa?

Para quem vive da técnica/ferramentas (fotógrafos, ilustradores, designer, publicitários, jornalistas, webmasters) como competir com a cultura “faça você mesmo”? Sendo que sistemas/devices são cada vez mais inteligentes e amigáveis, “dispensando” um profissional.

Muita água vai rolar, algumas profissões deixarão de existir, outras surgirão com as novas possibilidades. Para os profissionais de marketing e publicidade, o desafio será repensar estratégias que não sigam modelos massivos intrusivos, chamar a atenção diante de tanta oferta de informação.

Acredito que o futuro para reter a atenção será construir ambientes que permitam novas experiências, concentrem pessoas em eventos temáticos, reais ou virtuais. Nesta ordem entra o lúdico, a brincadeira como mediador de um público cada dia mais segmentado. São ambientes que propõem conhecimento gerado pela troca de experiências, interfaces que permitam a interação.

Para concluir, acredito que os profissionais devem aproveitar o momento e fazer com que esta nova cultura incorpore em suas estratégias. Se por um lado a valorização da técnica (num âmbito geral) pode estar comprometida, por outro, o volume de ações cada vez mais criativas aumentam. A grande rede é viva e requer dedicação, interação sempre, resultando em uma nova perspectiva de negócios.

Penso que a importância da comunicação está mais clara, mais democrática. Todos sabem o que é um bom site, a importância de boas imagens, o bom relacionamento, o papel dos blogs, quanta técnica e dedicação são usadas para um stop motion e para melhorar ainda tem um desejo unânime que a sua empresa/idéia seja aceita, em tempo real e mais atualizada possível.
Nesta transformação, possibilidades são maiores que portas que se fecham – cabe a nós se adaptar e tirar o melhor proveito.

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Daniel Bryan